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Voto Nulo na construção da liberdade e justiça

 

Voto Nulo

Há tempos, nós anarquistas defendemos os voto nulo ou simplesmente não votar (abstenção). Apesar do que muitos pensam, não somos inconsequentes pregadores do caos, mas da substituição de todo totalitarismo, exploração e opressão que dissiminam doenças, misérias, violência e muitas tragédias evitaveis simplesmente com a abolição da propriedade e do Estado, juntamente com seus apologistas, burocracias, partidos, patrões e exércitos repressivos. E há muito tempo, nós anarquistas oferecemos, não uma proposta de governo, mas métodos e práticas adaptaveis as realidades e possibilidades de cada sociedade, principalmente para nossa classe, oprimidos e explorados para concretizar essa substituição da melhor forma que nossa sociedade possa construir.

Ao propormos o voto nulo, temo em mente que é necessário uma nova abordagem de como organizar, definir e realizar ações na sociedade e que isso seja meio educativo para o fim que almejamos uma sociedade sem classes sociais. Por isso não podemos esperar que a democracia representativa ou um Estado nos leve até esse fim. Precisa ser construido de forma continua por nós mesmos e agora. Não há ilusão aqui, não se pode confiar em partidos politicos ou em um Estado, constituidos em lógicas hierarquizadas de poder e controle social.

 

Democracia direta e autogestão são as práticas que resgatam a cidadania de nossa gente, porque faz com que ela atue de forma simples, direta nos assuntos que lhe interessam, tanto na parte de tomada de decisões, da criação de leis e de sua aplicação. Isso requer que cada um exerça de forma consciente criticas, expresse opiniões e saiba ouvir os demais, por estarmos e sermos tod@s iguais e direitos e deveres combinados diretamente nesse processo. Isso rompe com uma lógica conservadora e retrogada das hierarquias, dos poderosos e das leis que quase sempre defendem apenas a seus interesses.

A autogestão é processo antiburocrático e antilucrativo. Antiburocrático porque elimina os intermediários do processo de decisão e de realização de tarefas, cada um assume responsabilidades, compromissos, deveres e direitos. Antilucrativo porque os interesses da sociedade anulam a ganância de cada um e dado que o processo se dá em um meio em que todos tem as mesmas condições, remove a possibilidade de acumulação extremada de recursos por alguns em detrimento de todos. Consequentemente não há constituição de uma liderança ou de um grupo que esteja a frente de uma autogestão. Cada um é responsável ativo da estrutura e contribui para seu funcionamento. Quando maior o número de participantes com capacidade para articular, discutir e com concretizar práticas de autogestão, melhor e mais rápido se desenvolve como proposta de governo popular direto sem estado, sem partido.

Podemos considerar a autogestão uma expressão publica dos individuos unidos para tratarem de situações comuns – comunidade, trabalho, escolas, bairros, etc. E nesse contexto é uma estrutura em que o aprendizado e a autoridade comum, a participação e o controle são a mesma coisa, isto é, não há como remover um elemento sem perder todos os outros porque estão entrelaçados, geram a sustentação da autogestão.

O elemento mais importante que a aplicação da autogestão desenvolve é a capacidade da socidade, dos cidadãos assumir de fato, o poder politico que lhe é tirado sistematicamente nos processos eleitorais, pelos partidos que a todo custo, procuram serem “interlocutores” de nossas demandas e anseios, mas não passam de parasitas em busca de novos hospedeiros para os alimentarem.

 




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